Verdade absoluta, relativa e ilusão

Talvez a pergunta mais crucial para o ser humano seria ” o que é a verdade?, Ou que verdade devemos seguir?,ou ainda o que distingue o verdadeiro do falso!?...

Geral
Por: Colunista Geral
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Talvez a pergunta mais crucial para o ser humano seria ” o que é a verdade?, Ou que verdade devemos seguir?,ou ainda o que distingue o verdadeiro do falso!? E as perguntas não param, pois o terreno para a busca de tal verdade aparentemente fácil, apresenta-se escorregadio e complexo. A filosofia em sua trajetória histórica com os gregos pré-socráticos, coloca duas posições possíveis nesta questão da verdade: uma é a dogmática, a outra é a cética. Na posição dogmática acredita-se que a verdade existe e que o homem é detentor dela. Desta forma,todo pensamento que se crê verdadeiro, seja político, religioso ou científico é colocado como um ” dogma”,ou seja uma verdade irrefutável, que não poderia ser negada. Segundo o epistemológo brasileiro Hilton Japiassú, esta postura dogmática produziu as formas de dominação, violência e morte mais cruéis e irracionais, visto que milhares de pessoas que se posicionaram contra a verdade estabelecida, sofreram as penalidades por tal ato, e, o exemplo clássico é o de Jesus Cristo. Uma coisa é proclamar que a verdade existe, outra é afirmar que somos donos dela, e aquele que não se enquadra na afirmação, ou é excluído, ou ainda pior, eliminado!!
Contrariamente ao dogmático, temos a posição cética; Esta por sua vez não acredita na verdade, nem que ela exista e muito menos que podemos ser donos dela. Este terreno onde toda a verdade e possibilidade do conhecimento verdadeiro é negado também é chamado de “ceticismo absoluto”, onde nada é possível conhecer, e se conhecer, nada é possível transmitir. Esta forma de pensar é fortemente contestada, pois se nada é verdade aquele que assim fala está na falsidade, ou, se todo conhecimento é falso, então o que afirma isto também é falso e daí não se deriva nenhuma possibilidade de conhecimento; toda tentativa de aventar algo seria estéril, pois do nada, nada vem. Tentando sair deste paradoxo, ou melhor desta esparrela, temos os dogmáticos críticos e os céticos relativos. Para estes pensadores há um comum acordo que atingir a verdade absoluta é difícil, porém se é possível chegar em determinadas verdades relativas, admitindo-se portanto estabelecer uma linha tênue entre o verdadeiro e o falso, indo do menos para o mais. Para estes pensadores o caminho para a verdade absoluta apresenta- se penoso e instável, mas isto não nos impede de persegui-la, pois se constata que a verdade nunca nos é dada assim como a perfeição, mas nada impede de buscá-la ou de construí- la. Desta a forma a verdade que podemos encontrar será sempre relativa, parcial e,construída a partir do consenso entre as partes.
Mas que reflexão podemos extrair desta discussão sobre a verdade!? Primeiramente temos que separar as palavras e as coisas em si. Por mais bonitas que sejam, as palavras não são as coisas; por exemplo a palavra mel não é mel,e a palavra deus, não é Deus. Então seria possível colocar a verdade em palavras? Sim, porém as palavras não são a verdade; elas são nada mais que setas indicadoras para prosseguir na busca.
Pensar neste sentido, nos torna mais humildes, menos presunçosos e mais humanos. Se a postura dogmática nos prende em grades construídas pelas formas de pensar, a postura cética ou crítica entende que a verdade não pode ser mais importante que a vida humana,a qual não precisa ser eliminada pelo fato de discordar da verdade estabelecida, que no fundo não passa de um punhado de pensamentos, ou seja numa história na qual as pessoas foram obrigadas a acreditar. Se fizermos uma análise mais profunda, aquilo em que muitos acreditam ser a verdade no fundo não passa de ilusão; Este pensamento ilusório engendrado pelas muitas formas de ideologias tem mantido o homem acorrentado na sua própria ignorância e inconsciência ao longo da história humana. Romper com esta ilusão em busca da grande verdade talvez seja a nossa missão primordial enquanto humanos. Se a verdade nos liberta como afirmou jesus, então significa que é importante buscá-la, com coragem e humildade sobretudo para reconhecer que a nossa verdade pode ser diferente da verdade do outro e por isso temos que respeitá-la!!
(Fontes de pesquisa: “Heckhart Tolle, Hilton Japiassú, Kant, Richard Rortty, T. Adorno e Novo testamento”)

José Pedro Idalino

Eu sou o professor Jose Pedro Idalino, e sou natural de Turvo, filho da capital Turvo Baixo. De 1979 a 1985 fui seminarista da Ordem dos servos de Maria. Me formei na PUC do Paraná em 1987 com licenciatura em Filosofia e bacharelado em História e psicologia. Iniciei minha carreira de professor, começando no Pedro Simon em Ermo depois Jorge Shultz e colégio estadual de Turvo atual EEB Joao Colodel, no qual estou a 29 anos e hoje atuo na direção do Colégio pela segunda vez. Trabalhei como professor também em escolas particulares como Objetivo, Energia e Universidades como Unisul, Unibave e Unesc. Na Unesc fiz pós graduação em História e Mestrado em Educação. Atuei como professor por 15 anos em cursos como História, Matemática, letras, arquitetura, enfermagem, Artes visuais, Psicologia, Engenharia de materiais, Pedagogia, Administração comercio Exterior e Direito.