O conto do ouro enterrado: histórias de Turvo Baixo – parte 3

Para quem é natural de Turvo Baixo, certamente cresceu ouvindo de familiares e amigos muitos relatos envolvendo ouro enterrado nesta localidade. As famosas bolas de fogo ou mãe do...

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Por: Colunista Geral
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Para quem é natural de Turvo Baixo, certamente cresceu ouvindo de familiares e amigos muitos relatos envolvendo ouro enterrado nesta localidade. As famosas bolas de fogo ou mãe do ouro como era chamada pelos antigos era fato recorrente e muito comum ser vista em vários locais que se presumia haver ouro enterrado. Conforme preconizavam as lendas, aquele que arrancasse ouro deveria mudar de casa sob pena de vir a falecer. Nos anos 50, 60 e 70 do século passado alguns saíram de Turvo Baixo e foram para o centro de Turvo; outros foram para outros estados. Coincidência ou não, todos eles tiveram uma ascensão material em seus empreendimentos. Como não temos permissão para revelar os nomes e suas histórias de sucesso, vamos nos restringindo aos relatos orais com a devida permissão de parentes ou familiares, visto que a grande maioria dos protagonistas já não estão entre nós. Vamos então a narrativa de um conto tradicional: – Acácio Faxina e o ouro encantado do Rio Araranguá- morador antigo de Turvo, na época pelos idos dos anos 60, sua esposa Adélia havia sonhado com uma grande panela de ouro nas proximidades do Rio Araranguá na divisa entre Turvo Baixo e Taquaruçu. No sonho de Adélia, o ouro não precisava ser desenterrado, mas surgiria as margens do rio e quando ele emergisse seria necessário entrar na água e puxar para fora; após o feito, ela deveria escolher uma filho que entraria como moeda de troca, ou seja, deveria morrer. Tentando enganar a maldição convidaram um compadre que não tinha filhos para realizar o intento. Conforme combinado antes da meia noite, Acácio, sua esposa filhos e seu compadre foram as margens do rio; todavia quando soou meia noite a panela começou a brilhar e vir para fora d’água; porém antes que ele pudessem pegá-la, escutaram um movimento muito estranho por dentro do rio; era um tropel de cavalos e bois e vaqueiros gritando com os animais. Temendo serem esmagados pelos animais, fugiram em desespero e na fuga perderam muitos pertences inclusive um revólver e facões que haviam levado. Acácio atribuiu o insucesso à tentativa de enganar os espíritos protetores do ouro que desta vez não permitiram entregar o ouro sem o cumprimento da justa troca: o ouro por uma vida. Assim manteve-se o relato lendário, de que um ouro amaldiçoado nunca deveria ser desenterrado sob pena da perda de algum familiar; e no caso de não ter filhos, afirmava-se que morreria o marido ou a esposa. Neste conto do Sr Acácio Faxina as mortes foram evitadas, seja de um de seus filhos ou do seu compadre, pelo fato de não conseguirem colocar as mãos na grande panela brilhante que apareceu e desapareceu para sempre nas águas do rio Araranguá!!

Fontes ( Acácio Faxina e Pedro Idalino)

José Pedro Idalino

Eu sou o professor Jose Pedro Idalino, e sou natural de Turvo, filho da capital Turvo Baixo. De 1979 a 1985 fui seminarista da Ordem dos servos de Maria. Me formei na PUC do Paraná em 1987 com licenciatura em Filosofia e bacharelado em História e psicologia. Iniciei minha carreira de professor, começando no Pedro Simon em Ermo depois Jorge Shultz e colégio estadual de Turvo atual EEB Joao Colodel, no qual estou a 29 anos e hoje atuo na direção do Colégio pela segunda vez. Trabalhei como professor também em escolas particulares como Objetivo, Energia e Universidades como Unisul, Unibave e Unesc. Na Unesc fiz pós graduação em História e Mestrado em Educação. Atuei como professor por 15 anos em cursos como História, Matemática, letras, arquitetura, enfermagem, Artes visuais, Psicologia, Engenharia de materiais, Pedagogia, Administração comercio Exterior e Direito.