O Conto do ouro enterrado: história de nossos antepassados – Parte 2

Nas postagens anteriores discorremos sobre os mistérios que envolvem os contos, causos e lendas do ouro que presumivelmente fora enterrado por nossos antepassados, imigrantes, padres jesuítas e mesmo os...

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Por: Colunista Geral
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Nas postagens anteriores discorremos sobre os mistérios que envolvem os contos, causos e lendas do ouro que presumivelmente fora enterrado por nossos antepassados, imigrantes, padres jesuítas e mesmo os nossos índios brasileiros. Também falamos do ouro abençoado que além da riqueza, proporcionava um bem tanto por parte do doador, significando uma libertação para o mesmo, quanto por parte do recebedor que doravante bafejado pela sorte poderia mudar sua situação de vida para melhor. No artigo de hoje vamos abordar duas histórias de nossos antepassados:
1- O tesouro dos índios- esta narrativa pertence ao antigo morador de Turvo e Araranguá, mais precisamente num tempo anterior a emancipação de Turvo; a localidade em questão é o atual Jacinto Machado que na época pertencia a Turvo e ambos faziam parte do Grande município de Araranguá. Bento Xiru, pai de meu tio Apolinário Pereira (ambos falecidos) contavam que antigamente na localidade chamada Serra da pedra, no período que iniciava a imigração italiana, os nativos da região ( kaigang ou xoklens) guardavam um tesouro da tribo equivalente a mais de 500 quilos de ouro. Com medo de serem pegos pelo homem branco estes índios resolveram enterrar em Serra da Pedra esta grande quantia. Num grande pote de barro fizeram um buraco de aproximadamente um metro e meio, depois foi tapado com terra e acima foi colocado uma pedra pesando quase uma tonelada. Bento Xiru que era amigo destes nativos, revelou que foi necessário oito índios dentre os mais fortes para mover esta pedra e lacrar o local do tesouro enterrado. Anos mais tarde muito longe dali Bento Xiru encontrou alguns daqueles índios e pediu que lhe revelassem o local do ouro enterrado. Mas os índios responderam que não tinham permissão do chefe da
tribo e do espírito do Pagé (antigo feiticeiro) nem para revelar ou doar este tesouro que fora de seu povo. Todavia o Pagé, outrora havia decretado que este ouro que agora estava envolto na névoa do encanto poderia ser arrancado por uma pessoa de coração puro e alma nobre, mas somente a partir do sonho. Já são decorridos quase cem anos do ocorrido e não sabemos se alguém teve o privilégio de sonhar e arrancar este ouro; Para o entusiasmo dos prospectores de plantão há quem diga que este tesouro ainda está por lá a espera da nobre alma merecedora. Só o tempo dirá!
2- O conto da capela dos Ausentes:o destemido, a caveira e o ouro- esta narrativa pertence ao meu avô José Idalino que nasceu na Barra do Ouro RS, veio para Turvo Baixo e entre as décadas de 1920 e 1930 a Serviço de Liberato Simon, subiu a serra até a localidade de São José dos Ausentes que hoje é município, mas que antigamente pertenceu ao município de Bom Jesus. Lá conheceu a minha Vó Maria Balbino Idalino com quem se casou. Este “causo”, quando pequeno ouvi meus avós contarem e também meu pai que até hoje conhece todos os detalhes. Conta-se que um tal de caboclo chamado Aparício aqui das bandas do Rio Araranguá subiu a serra a negócios com os serranos de Capela dos Ausentes. Chegou quando era noite e não tendo conhecidos por aqueles pagos procurou um galpão abandonado para passar a noite. Fez um fogo e começou assar uma carne para jantar antes de dormir. Quando de repente uma voz ecoou de cima do galpão:-“Eu caio, eu caio”! Aparício, conhecido pela sua coragem gritou também: -” pois caia”, e logo caiu uma perna. A voz continuou gritando “eu caio eu caio” e Aparício mandava cair. Assim muitas partes de um corpo em forma de caveira foram caindo, mas Aparicio não se amedrontou e de uma forma indignada gritou para esta voz fantasmagórica: vamos parar de palhaçada e caia tudo de uma vez. Neste momento todas as partes caíram e se juntaram formando uma caveira andante. Aparício cuidava do churrasco e não se importou com a caveira que correu atrás de um sapo e vindo na direção da fogueira começou a surrar o churrasco do Aparício com o sapo. Revoltado o corajoso Aparício puxou da Adaga e lutou bravamente com a caveira. Lutou e venceu, afinal o destemido caboclo não tinha medo de nada. Dando-se por vencida a caveira falou:-” Parabéns Aparício. Você é o único que conseguiu permanecer neste galpão sem fugir; antes de você, todos fugiram amedrontados. Teu prêmio é uma panela de ouro que está enterrada no canto do galpão. Cava, e ele é seu”. Aparício retrucou dizendo: ” quando eu quero dar um presente para alguém, eu mesmo dou, neste caso você é que deve arrancar para mim”. Meio contrariada, a caveira puxou de uma pá arrancou a panela e entregou nas mãos do destemido Aparício; tendo feito isto sumiu e deixou Aparicio em paz. Aparício dormiu a noite no velho galpão abandonado e no outro dia foi aos negócios com os serranos. Relatos que ele comprou uma grande fazenda lá pelas bandas do Silveira e nunca mais voltou para Araranguá. E o velho galpão voltou a ser um local de pouso tranquilo para os viajantes e tropeiros. A alma que gritava eu caio eu caio, encontrou a paz e Aparício a fortuna.

Fontes Orais( Bento Xiru e Apolinário Pereira, meu tio; José Idalino e Maria Balbino, meus avós paternos; Pedro Idalino, meu pai)

José Pedro Idalino

Eu sou o professor Jose Pedro Idalino, e sou natural de Turvo, filho da capital Turvo Baixo. De 1979 a 1985 fui seminarista da Ordem dos servos de Maria. Me formei na PUC do Paraná em 1987 com licenciatura em Filosofia e bacharelado em História e psicologia. Iniciei minha carreira de professor, começando no Pedro Simon em Ermo depois Jorge Shultz e colégio estadual de Turvo atual EEB Joao Colodel, no qual estou a 29 anos e hoje atuo na direção do Colégio pela segunda vez. Trabalhei como professor também em escolas particulares como Objetivo, Energia e Universidades como Unisul, Unibave e Unesc. Na Unesc fiz pós graduação em História e Mestrado em Educação. Atuei como professor por 15 anos em cursos como História, Matemática, letras, arquitetura, enfermagem, Artes visuais, Psicologia, Engenharia de materiais, Pedagogia, Administração comercio Exterior e Direito.