Escola se faz com ensino e pesquisa

Sabemos que a tríade que sustenta uma universidade está pautada no Ensino, na pesquisa e extensão. Por isso não podemos confundir universidade com faculdade, pois esta última tem a...

Geral
Por: Colunista Geral
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Sabemos que a tríade que sustenta uma universidade está pautada no Ensino, na pesquisa e extensão. Por isso não podemos confundir universidade com faculdade, pois esta última tem a preocupação principalmente com o ensino, algumas vezes com a pesquisa, mas não efetua a extensão(imersão na comunidade), característica esta que qualifica uma instituição de ensino superior ser chamada de universidade. Por outro lado as escolas do ensino secundário tem como característica absorver o conhecimento que é fruto das pesquisas oriundas das universidades a partir das dissertações e teses que envolvem o mestrado e o doutorado. Em outras palavras o conhecimento produzido a partir das pesquisas stricto sensu será reproduzido nos ensinos primário, secundário e também no superior. Com efeito a partir desta percepção que ao longo do tempo se produziu a cerca da educação onde a pós graduação pesquisa e as outras instâncias reproduzem, a rigor, tem se constituído os modelos de educação em nosso país. Aqui chegamos numa questão emblemática que nos leva a refletir, se ensinamos para apenas reproduzir o conhecimento e o status quo, ou ensinamos a pesquisar e a transformar este status quo. Quando ensinamos nossos alunos sem a via do pensamento crítico e contestador, acabamos por ensinar verdades absolutas que na realidade não se sustentam e assim ao invés de criarmos o terreno para o conhecimento científico acabamos criando ilusões. Hoje é fato que em todos os países onde a educação é levado a sério, desde a tenra idade é incentivado o espírito da pesquisa e da criatividade; Ademais, é comum vermos a valorização das feiras de ciências já partir das primeiras séries do ensino primário; desta forma o potencial das crianças vai desabrochando e sendo incentivado a medida que se avança de série. Em nosso modelo brasileiro esporadicamente (uma vez ao ano) temos uma feira de ciências que muitas vezes não decorrem de projetos que deveriam ser desenvolvidos ao longo do ano. O grande epistemólogo da ciência Gastón Bachelard nos ensina a observar pedagogicamente o movimento da ciência, ou seja o fazer da ciência na forma como ela se faz a partir da tentativa, do erro e do acerto. Nesta perspectiva ensinar a pesquisar, acima de tudo é valorizar as tentativas e os erros de nossos alunos. Temos que ter como exemplo o inventor da lâmpada o americano Thomas Alva Edison que depois de mais de mil erros não desistiu de inventar a lâmpada; quando perguntado porque insistia diante de tantas tentativas fracassadas Édison dizia: ” acabei de descobrir mais um modo de como não se fazer uma lâmpada”; e foi desta forma perseverante que o gênio entregou ao mundo o grande invento que muito beneficiou a humanidade. Por isso é muito importante que nossos alunos saibam que o conhecimento científico é produzido em base a muitas tentativas, erros, acertos, inspiração e transpiração, pois o conhecimento se dá no processo e não só na chegada. O papel da escola é proporcionar as ferramentas certas, ou seja o conhecimento necessário para que a partir dele o aluno possa pesquisar com autonomia. Desta forma podemos transformar nossa educação numa casa de sonhos e possibilidades e não numa fábrica onde se reproduz o sempre igual sendo proibido errar. Portanto, parabenizamos a todos os professores que mesmo diante das dificuldades diuturnas, ainda procuram incentivar o espírito da pesquisa que a muito foi esmagado pelo sistema educacional.

Fontes( Dissertação de mestrado do prof José Pedro Idalino: Filosofia: concepções e modelos de ensino predominante na proposta curricular de SC; Gastón Bachelard)

José Pedro Idalino

Eu sou o professor Jose Pedro Idalino, e sou natural de Turvo, filho da capital Turvo Baixo. De 1979 a 1985 fui seminarista da Ordem dos servos de Maria. Me formei na PUC do Paraná em 1987 com licenciatura em Filosofia e bacharelado em História e psicologia. Iniciei minha carreira de professor, começando no Pedro Simon em Ermo depois Jorge Shultz e colégio estadual de Turvo atual EEB Joao Colodel, no qual estou a 29 anos e hoje atuo na direção do Colégio pela segunda vez. Trabalhei como professor também em escolas particulares como Objetivo, Energia e Universidades como Unisul, Unibave e Unesc. Na Unesc fiz pós graduação em História e Mestrado em Educação. Atuei como professor por 15 anos em cursos como História, Matemática, letras, arquitetura, enfermagem, Artes visuais, Psicologia, Engenharia de materiais, Pedagogia, Administração comercio Exterior e Direito.