Agosto e as superstições que o envolvem

Como analisamos no último artigo os meses de quintilis e sextilis foram alterados no calendário Juliano pelo senado romano, primeiramente para homenagear Caius Julius César(mês de julho) e posteriormente...

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Por: Colunista Geral
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Como analisamos no último artigo os meses de quintilis e sextilis foram alterados no calendário Juliano pelo senado romano, primeiramente para homenagear Caius Julius César(mês de julho) e posteriormente Otávio Augusto (mês de agosto); Por isto estes meses passaram de 30 para 31 dias vigorando até hoje em nosso calendário vigente.Na verdade Augusto não era nome de Otávio, mas foi lhe concedido como título pelo senado romano na ocasião em que se tornou lider máximo do segundo triunvirato depois de vencer Marco Antônio e Lépido. A este foi acrescentado também os títulos de César, pontífice máximo e Imperador. Só que o título de Augusto era especial, pois através dele o imperador era equiparado a Deus(tornado Deus, divinizado). Então com um nome tão interessante se pergunta porque com o passar do tempo o mês de agosto virou símbolo de um período trágico!? Sabemos que muito das crenças e superstições desembarcaram no Brasil junto com a colonização européia, principalmente a portuguesa; segundo esta tradição o fato do mês de agosto ser considerado o mês do cachorro louco seria em virtude do forte calor no hemisfério norte, período este que os cães contraiam o virus da famosa raiva canina.Vem de lá a teoria que neste mês não se devia casar; a resposta vem do passado quando nesta época os marinheiros com seus navios se lançavam nas aventuras das navegações estando sujeitos a nunca voltar;e como muitos nunca voltaram a ideia da maldição tornou-se suprema para noivas de marinheiros e também as demais advindo daí a frase ” casar em agosto traz desgosto”, o que no Brasil de acordo com o escritor Souto Maior se simplificou para ” mês de agosto, mês de desgosto”. Um dia considerado trágico seria 24 de agosto, pois no Brasil nesta data em 1954 ocorre o suicídio do Presidente Vargas e o país entra comoção geral.Na África este dia representa o dia de todos Exus, por isso afirmam que neste dia os diabos andam a solta. Na Europa em 24 de agosto de 1572 ocorreu a trágica noite de São Bartolomeu tendo iniciado em Paris se estendeu à várias cidades; neste massacre milhares de protestantes foram assassinados por católicos enfurecidos. No Brasil além de casamentos não serem bem vindos em agosto, muitos artistas não fazem shows, como por exemplo o rei Roberto Carlos; negócios não são fechados e cirurgias não são aconselháveis neste mês; para alguns mais radicais em agosto não se deve cortar os cabelos e muito menos lavar a cabeça; costume este presente também entre os argentinos, o que para eles lavar a cabeça em Agosto equivale a chamar a morte. Outro incidente mundial que deixou marcado o mês de agosto para o bem e para o mal foi o lançamento das bombas atômicas na segunda guerra mundial. Os dias 6 e 9 de agosto de 1945 nunca serão esquecidos pelos japoneses e o resto do mundo. Nestes dias as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas por duas bombas atômicas, resultando em milhares de vítimas levando a rendição do Japão e finalizando a segunda guerra mundial. Desta forma, se formos buscar tragédias certamente encontraremos muitas creditadas ao mês de agosto. Todavia certamente encontraremos muitos fatos bons ocorridos também neste mês. Sabemos que as crenças e superstições construídas ao longo dos tempos são difíceis de arrancar do imaginário popular cuja base é o senso comum porém sem apoio na ciência ou filosofia. Portanto idéias podem ser criadas e recriadas, feitas e desfeitas. Voltamos ao senado romano que procurou honrar um Grande Rei com o melhor nome possível: Augusto, isto é divinizado; ou brasileiramente falando “A gosto”, ou seja ao bom gosto de todos, com sabor agradável e a gosto de todos!!
Um feliz mês de agosto a todos cheio de paz, alegria e felicidade!!

Fontes(história antiga, Mário Souto Maior, tradições orais)

José Pedro Idalino

Eu sou o professor Jose Pedro Idalino, e sou natural de Turvo, filho da capital Turvo Baixo. De 1979 a 1985 fui seminarista da Ordem dos servos de Maria. Me formei na PUC do Paraná em 1987 com licenciatura em Filosofia e bacharelado em História e psicologia. Iniciei minha carreira de professor, começando no Pedro Simon em Ermo depois Jorge Shultz e colégio estadual de Turvo atual EEB Joao Colodel, no qual estou a 29 anos e hoje atuo na direção do Colégio pela segunda vez. Trabalhei como professor também em escolas particulares como Objetivo, Energia e Universidades como Unisul, Unibave e Unesc. Na Unesc fiz pós graduação em História e Mestrado em Educação. Atuei como professor por 15 anos em cursos como História, Matemática, letras, arquitetura, enfermagem, Artes visuais, Psicologia, Engenharia de materiais, Pedagogia, Administração comercio Exterior e Direito.