1° de Maio – o dia do trabalhador

Mais uma data histórica que carrega no seu bojo as marcas do passado resultantes de conflitos nas reivindicações de melhores condições de trabalho e diminuição da sua jornada. A...

Geral
Por: Colunista Geral
IMG-20180429-WA0073


Mais uma data histórica que carrega no seu bojo as marcas do passado resultantes de conflitos nas reivindicações de melhores condições de trabalho e diminuição da sua jornada. A raiz história da data remonta o ano de 1886 na cidade de Chicago (Eua) quando trabalhadores paralisaram e as consequências deste ato geraram confrontos entre manifestantes e policiais ocasionando mortes nos dois lados. No ano de 1889 na França foi criado o dia do trabalho em homenagem aos manifestantes que lutaram e morreram pela causa do trabalhador. Muitos paises seguiram a idéia e hoje internacionalmente esta data é celebrada com homenagens e manifestações de conscientização pelo combate às injustiças do trabalho. No Brasil segundo historiadores, a partir de 1895 já se comemorava o 1° de maio, todavia a data só foi oficializada como feriado nacional no ano de 1924 pelo Presidente Artur Bernardes. Posteriormente Getúlio Vargas se utilizou desta data para sancionar leis trabalhistas em benefício dos trabalhadores brasileiros, como por exemplo a instituição do salário mínimo e a criação da Justiça do Trabalho. Mas afinal seria correto afirmar dia do trabalho ou dia do trabalhador!? Primeiramente importa dizer que não há trabalho sem trabalhador, e nem trabalhador sem trabalho, pois uma coisa complementa a outra. Desta forma enquanto alguns entendem que a colocação dia do trabalho se refere mais ao campo abstrato da produção de bens, por outro lado ” o dia do trabalhador” daria maior ênfase ao sujeito concreto que realiza a ação do trabalho. Mesmo na palavra trabalho temos controvérsias historicas; enquanto na antiguidade o trabalho era exclusivo dos escravos, a partir da idade moderna com o advento do protestantismo o trabalho ganha status de dignidade . Na semântica da palavra trabalho temos no latim romano  ” Tripalium”, ou seja um chicote com tres paus utilizado para surrar os escravos rebeldes, tendo portanto uma conotação negativa e nada edificante para uma categoria que exercia uma ação mediante a  força bruta e desumana. Todavia esta ideia negativa do trabalho aos poucos vai sendo substituída pela lógica do protestantismo calvinista que via no trabalho uma fonte de salvação para os mais pobres ou escravos, visto que nesta doutrina os ricos já estavam predestinados a serem salvos. Aqui mais uma reflexão se coloca; Calvino afirmava que todo trabalho dignificava o homem ao mesmo tempo que lhes abria a porta da salvação. E assim,  esta afirmação calvinista se converteu em ditado popular e acabamos por aceitar sem discutir. Basta um olhar mais profundo para perceber que este ditado não se sustenta; por exemplo o trabalho infantil, escravo, onde o ser humano é explorado na sua força de  trabalho, ou ainda os trabalhos aviltantes de assassinos, torturadores, narcotraficantes e prostituição consentida ou não. Enfim, poderíamos elencar uma gama de trabalhos que na realidade não edificam em nada o humano, e pelo contrário além de desqualificar e desumanizar sua natureza humana, o colocam numa posição de selvageria animal.  Portanto acredito que podemos fazer uma pequena modificação na frase de Calvino onde “Todo trabalho dignificava o homem” para : ” Todo trabalho DIGNO, DIGNIFICA o homem”.  Nesta assertiva só alcançamos dignidade no trabalho se ele for justo, correto, realizador e qualificador daquele que o faz. Neste sentido todo trabalho digno, dignifica, e todo trabalho indigno, não dignifica ninguém; seja quem o faz ou quem manda fazer!! Que o feriado seja um bom dia de reflexão e descanso para todos os trabalhadores que edificam o nosso Brasil. Parabéns a todos!!

(Fonte de pesquisa: Max Weber, Leonardo Boff, Calvino, Wikipedia)

 

José Pedro Idalino

Eu sou o professor Jose Pedro Idalino, e sou natural de Turvo, filho da capital Turvo Baixo. De 1979 a 1985 fui seminarista da Ordem dos servos de Maria. Me formei na PUC do Paraná em 1987 com licenciatura em Filosofia e bacharelado em História e psicologia. Iniciei minha carreira de professor, começando no Pedro Simon em Ermo depois Jorge Shultz e colégio estadual de Turvo atual EEB Joao Colodel, no qual estou a 29 anos e hoje atuo na direção do Colégio pela segunda vez. Trabalhei como professor também em escolas particulares como Objetivo, Energia e Universidades como Unisul, Unibave e Unesc. Na Unesc fiz pós graduação em História e Mestrado em Educação. Atuei como professor por 15 anos em cursos como História, Matemática, letras, arquitetura, enfermagem, Artes visuais, Psicologia, Engenharia de materiais, Pedagogia, Administração comercio Exterior e Direito.